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Conheça mais sobre Psicoterapia Infantil

Conheça mais sobre Psicoterapia Infantil

13/09/2012 · Equipe Pleno

por Ana Carolina Godoy

Conheça mais sobre Psicoterapia Infantil

Em primeiro lugar, a análise com crianças não se limita ao atendimento delas, pois começamos escutando os pais, que na maioria das vezes são os que trazem a demanda de análise para o filho. Paralelamente, devemos estar atentos a todo o ambiente que circunda essa criança, ou seja, irmãos, o restante da família, professores, médicos e outras relações importantes para cada criança. Não é necessário procurar cada personagem, mas através da escuta diferenciada do analista, dar lugar para que eles entrem através da fala dos pais e da criança. E também, assim como o adulto, a criança recebe o impacto das tensões do outro, mas principalmente e mais diretamente dos seus próprios pais, por isso a necessidade de uma escuta atenta destes.

Nessas primeiras sessões que são feitas com os pais e nas primeiras com a criança, o analista precisa verificar se a situação trazida é mesmo patológica ou fruto do período evolutivo em que a criança se encontra, pois ela ainda é um sujeito em constituição e pode acontecer de não ser necessário que a criança entre em análise.

Mas se há essa necessidade iniciamos o trabalho com a criança. E como explicamos aos pais uma sala com vários brinquedos, papéis e etc? Muitos podem nos perguntar: “mas vou trazer meu filho aqui para BRINCAR? Qual é o objetivo disso?”.

As crianças vão brincar sim, mas não é o brincar do parquinho, da escola ou de casa, é um brincar carregado de significados e muitas vezes com a mesma carga emocional em que um adulto pode trazer a sua fala, ou até maior.

Diferente do adulto que utiliza a linguagem, a fala da criança é o brincar e é através desse brincar que o analista pode ter acesso às fantasias inconscientes da criança, à sua subjetividade. O brincar é expressão simbólica dos conflitos e ansiedades da criança e, através dele temos acesso às angústias que as movem e a tudo que se passa em sua mente.

No brincar em análise a criança faz sem saber o que faz, é o analista quem vai nomear o que ela faz, aumentando a consciência que ela tem sobre isso, sem julgar seus sentimentos ou comportamentos. Nossa tarefa é ir construindo um contato com o inconsciente da criança, para podermos apontar suas angústias, através da interpretação dos conflitos que se exteriorizam no brincar. Uma especificidade do atendimento psicanalítico com crianças em contraposição com a psicologia ou a escola é que o analista não está lá para satisfazer os desejos da criança, nem para educá-la ou dominá-la.

A criança, assim como solicita uma atenção da mãe, solicita uma atenção muito mais intensa do analista do que um adulto. Os brinquedos que colocamos na sala ou na caixa lúdica não estão lá de enfeites ou para alegrar a criança, mas sim para possibilitar uma comunicação.

O material que pode ser utilizado pela criança é extremamente extenso e rico, desde desenhos, produções gráficas, sucata até brinquedos de todos os tipos como bonecos, carros, animais, casas, etc. além da dramatização e representação de papéis. E o mais importante é que o que cada criança faz com esse material é único, e assim como a causa de um sintoma não é a mesma para duas pessoas, um boneco não será usado da mesma forma por duas crianças.

ENEM: Qual a opção correta?

ENEM: Qual a opção correta?

18/10/2011 · Equipe Pleno

por Beatriz Santos e Márcia Abreu

ENEM: Qual a opção correta?

Está tudo preparado, documento de identidade, cartão de inscrição, canetas e muita ansiedade. Contudo, a prova é apenas uma etapa na escolha profissional dos jovens que se defrontam com uma variedade de opções de cursos, dentre diversas universidades, deixando muito desses jovens indecisos sobre qual profissão escolher. É neste momento que a angústia introduzida pela interrogação: o que quero realmente ser e fazer, fica bastante evidenciada.

Desde a infância, esta é uma questão que circunda cada sujeito: “o que você quer ser quando crescer?”. As respostas inusitadas, engraçadas e fáceis de serem ditas, permaneceram no passado junto aos primeiros anos de cada um. Atualmente, trata-se de uma questão complexa, em cuja possível resposta estarão implicados a história do sujeito, suas fantasias, anseios familiares, aspectos culturais/sociais, e outros.

Dentre as principais influências externas que atuam sobre a escolha profissional, o desejo familiar figura como um capítulo especial. Os pais sentem no sucesso dos filhos a continuidade de seus próprios projetos, trazendo desse modo uma carga afetiva que, por vezes, é pesada em demasia para alguém que se vê dando os primeiros passos na direção da vida adulta.

A escolha profissional pede um investimento de cada sujeito que não se limita à preparação para a um exame de vestibular. Investe-se tempo, dinheiro, emoções e empenho de energia, os quais perdurarão durante e depois da formação. Pensando em pontos como os já citados, é mister que esta escolha tão cara a cada um não se dê de qualquer maneira.

A aprovação no vestibular leva o estudante a outro nível (superior) de formação. É um momento marcante na vida do sujeito, socialmente, na cultura ocidental, é vivido como um rito de passagem da adolescência para a vida adulta. O jovem, até então sem maiores compromissos, torna-se uma promessa profissional, alguém que pode ser agente de transformação para um mundo melhor.

Nestas linhas não se aterá apenas as nuances dos aspectos familiares e sociais que estão imbricados no processo de escolha profissional. Outrossim se refletirá sobre a ferramenta recentemente adotada no nosso país para que se dê tal escolha. Deixando de lado as polêmicas quanto à política educacional, cabe analisar até que ponto o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, no molde em que está, possibilita ou favorece uma escolha condizente com a subjetividade do jovem que visa ingressar em uma universidade.

O Enem, reconhecidamente o maior vestibular do Brasil, assegura, conforme a pontuação alcançada pelo estudante, o ingresso em uma universidade pública, cujo curso pode não coincidir com a sua expectativa, ou primeira escolha. Contudo, ainda assim, o aluno inscreve-se em um curso que permitirá que seu nome saia na lista de aprovados, dando-lhe a oportunidade de ingressar no ensino superior.

Isso ocorre porque, no modelo atual do Enem, o aluno faz a prova e só posteriormente escolhe, diante da pontuação alcançada, o curso no qual se inscreverá. Não obstante, encontram-se depoimentos de alunos que desejavam determinado curso, mas pelo fato de sua pontuação não ser suficiente, optam por outro, que, por sua vez, não é necessariamente uma escolha decorrente da afinidade, mas aquele para o qual “os meus pontos deram”.

Há também casos em que o candidato almeja determinado curso, contudo, após verificar sua pontuação, percebe que com esta lograria aprovação em um curso de maior status social – aqui o jovem se depara novamente com as expectativas familiares e símbolos sociais agregados às profissões. Ante estes exemplos questiona-se: qual a opção correta?

Afinal, são tantas escolhas a serem feitas, em um pequeno espaço de tempo, que implica não apenas em uma opção para mais anos de estudo, mas em uma decisão que pode ser para toda uma vida. Até que ponto a forma como tem sido realizada a escolha profissional no Enem contribui para que o sujeito se responsabilize e brigue pelo seu desejo profissional, ou ainda, não ceda às pressões sociais impostas a cada um?

Quando o ciúme deixa de ser o tempero do amor?

Quando o ciúme deixa de ser o tempero do amor?

10/06/2011 · Equipe Pleno

por Márcia Abreu

Quando o ciúme deixa de ser o tempero do amor?

Com a chegada do mês de junho, “mês dos namorados”, observa-se nas ruas, na mídia, na internet, uma exaltação ao amor. É na fase do enamoramento que esse afeto se inicia, em que aquela forte atração pelo outro pode dar lugar a um relacionamento mais estruturado. Ao se falar de amor, estabelece-se uma relação com o ciúme. Ligação esta que para muitos está vinculada com o grau de interesse pelo parceiro, ou seja, se não sente ciúmes, não está apaixonado.

O ciúme transforma-se no termômetro amoroso da relação: quanto mais elevado melhor. Será? Ou poder-se-ia falar de subjugação do parceiro ao desejo do outro; ou forma de manter a pessoa amada sob domínio; ou insegurança marcada pelo medo de ser descartado em prol de alguém mais atraente; ou defesa frente a uma ameaça real ou imaginária; ou, ainda, realmente, manifestação de amor?

Mas por que este tema desperta tanto interesse nas pessoas? O ciúme está presente nas variadas formas de relações humanas que se fundam em vínculos afetivos. Ou seja, sentir ciúmes parece ser algo inevitável, visto que as pessoas estão sujeitas a senti-lo em maior ou menor grau.

Importante evidenciar sobre o ciúme patológico que ultrapassa o limite do suportável, com a presença de pensamentos delirantes, fantasiosos, deixando o sujeito na busca permanente de uma confirmação para suas desconfianças. O ciumento fica em permanente vigília e tensão acaba tornando-se desconfiado, acusador e agressivo, podendo ceder a impulsos incontroláveis, ocasionando transtornos e sofrimentos aos envolvidos.

Torturado pelo ciúme, o sujeito não consegue pensar com clareza e racionalidade, afetado pela desorganização de sua vida psíquica. Seu mundo mental fica desarticulado pelo turbilhão de imagens, eternas dúvidas e falsas constatações que fornecem à sua trama uma organização lógica.

No ciúme, existem estados contraditórios: amor e ódio, convicção e dúvida, frustração e gozo; o ciúme traz sofrimento pelo amor perdido e ódio contra o sujeito que se presume infiel. Mas há também um certo prazer nessa dolorosa situação de incerteza, nas inúmeras suposições elaboradas pelo ciumento, na busca obsessiva de uma evidência que irá jogá-lo ao desespero, na dúvida quanto à fidelidade do seu parceiro. O mundo do ciumento é irreal, de artifício e de sonho, em que produz um romance, anexando a infidelidade ao mundo real.

Por outro lado, o que faz com que esse parceiro do ciumento permaneça na relação? Essa posição passiva tem uma função e um sentido. O sujeito que ocupa o lugar de vítima, entretanto, obtém ganhos secundários. Seu mundo mental é permeado de medos e fantasias.

Fantasias de que realmente é objeto de desejo do ciumento, que esse ciúme trata-se de prova de amor, tornando-o essencial e único para esse sujeito. Esse medo da vítima do ciúme é ambivalente: de um lado é representado pelo medo da perda da pessoa amada, da solidão e de constatar o fracasso da relação; de outro, há o medo das atitudes do ciumento: estar sendo vigiado, perda da liberdade, constrangimentos em público e até agressões físicas.

Em sua história de vida, o ciumento passional é narcisista, só existindo ele e sua superioridade, estando apenas voltado para si próprio, não para o outro. Deseja o comando do relacionamento, subjugando seu parceiro e não admitindo o fato de não ser mais amado.

Então, como fica o amor na relação afetiva? O amor exercerá uma função identificatória com a pessoa amada. O sujeito, quando ama, deposita total confiança no ser amado, proporcionando-lhe liberdade de escolha, respeitando sua subjetividade, porém sempre criando momentos de intimidade, onde o romance possa aflorar sem limites.

Pais e Filhos: a difícil escolha de uma escola

Pais e Filhos: a difícil escolha de uma escola

10/01/2011 · Equipe Pleno

por Márcia Abreu

Pais e Filhos: a difícil escolha de uma escola

A chegada de um filho vem acompanhada de um turbilhão de emoções e expectativas para os pais. Esse pequeno ser totalmente dependente nos primeiros momentos de vida, mas ao mesmo tempo com capacidade extraordinária de desenvolvimento, logo passará a traçar seu destino a partir de suas próprias decisões.

O futuro profissional do filho é uma das preocupações dos pais, que vêem com grande importância a seleção de uma escola onde, além do conteúdo didático, transmita valores que reforçarão a personalidade da criança e influirá na sua conduta quando adulto.

O fato dos pais terem sido alunos de determinada escola e nelas terem tido uma boa experiência, não é o bastante para indicar que essa instituição seja ideal para os filhos, pois os tempos e as exigências das crianças não são iguais aos de anos anteriores. Os estímulos ao conhecimento de hoje, trazidos, até de forma imperceptível, nas diversas brincadeiras, filmes didáticos e de tecnologias mais avançadas, tem formado uma infância mais perspicaz, ávida por novos conhecimentos, não sendo mais atraídas pelas técnicas de educação que serviram para formação dos pais.

Outro aspecto que deve ser pontuado é na escolha da escola para todos os filhos, quando há mais de um, manter os filhos em uma mesma escola, apesar da praticidade, requer aos pais observação e respeito sobre as diferentes personalidades dos mesmos, que apesar de criados com igual afeto, tiveram pais com amadurecimento diferente entre o tempo de nascimento de seus filhos. Sendo assim a escola ideal para um filho, necessariamente não é a que serve para o outro.

O alto índice de aprovação no vestibular, a rigidez ou a flexibilidade disciplinar, fácil acesso, não devem ser os únicos critérios a serem considerados. É de fundamental importância que os pais respeitem a subjetividade de seu filho na escolha dessa instituição. Para isso é necessário conhecer a proposta pedagógica adotada pela escola, escolhendo a que possa promover o melhor desenvolvimento escolar e social da criança.

É preciso que se tenha conhecimento sobre as metodologias e teorias (construtivista, montessoriana, tradicional entre outras) de ensino e verificar se estas são aplicadas no cotidiano escolar. A verificação deverá ser realizada através de visitas a instituição e conversas com outros pais sobre a satisfação com o estabelecimento de ensino. Se possível, proporcionar a experiência com a criança no ambiente para observar sua reação com a abordagem adotada pela escola. Afinal será um local onde ela passará uma boa parte de sua infância e adolescência.

A própria receptividade da escola nas visitas dos pais, na transmissão das informações sobre o desenvolvimento dos filhos, comunicação das atividades desenvolvidas e na integração da família com a instituição são critérios que devem ser ponderados, afinal, as duas instituições – família / escola, possuem o mesmo objetivo, desenvolver a potencialidade da criança, tornando-a uma pessoa confiante na sua capacidade de enfrentar os desafios da vida.

O vínculo com a instituição de ensino é fundamental para que o processo de ensino- aprendizagem torne-se prazeroso e, consequentemente significativo, levando em consideração a formação inicial e continuada dos profissionais que atuam na escola, a permanência dos mesmos no estabelecimento, a satisfação na relação empregatícia e, se há envolvimento de equipes multidisciplinares (presença de psicólogos, psicopedagogos, recreadores etc), além de espaço físico adequado as propostas pedagógicas.

A escolha de uma escola não é uma tarefa finda, que não admite reformulações, ao contrário, a avaliação é contínua, feita através de relatos das crianças, de suas experiências no dia-dia de aula. Além do que relatam, os pais devem observar a própria conduta do filho em relação à escola, como o desejo de voltar, a recusa de ir à aula ou dificuldades de aprendizagem. Os sinais de satisfação, e principalmente os de insatisfação com a instituição devem ser considerados para reconhecimento da certeza de permanência do seu filho na escola.

A angústia dessa escolha passa por todos que acreditam na educação como um processo de construção e transformação social, porém a escola ideal é aquela que corresponde às expectativas e se assemelham aos valores familiares.

Converse sempre com seu filho sobre seu dia na escola, suas idéias, comemore suas conquistas (feira de ciências, interclasses, jogos etc) e não forme sua avaliação sobre o seu sucesso apenas pelas notas nas avaliações.

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